MARIAPEREIRA



  Recorda-te de mim nem que seja em devaneios, vê-me claramente e veste o nosso amor uma última vez. As cicatrizes estão gastas e perfuradas mas mesmo sem impeles a tua sombra ainda permanece aqui quase omnipresente, todavia, eu sinto-me tão pequena com estas assombrações, nunca precisei de imaginar-te para tocar-te. Esta noite deitar-me-ei sobre esta crua solidão que me perfura o corpo e irei estalar o verniz das minhas unhas ateando o para sempre – por favor, não faças barulho quando bateres com a porta, bate-a vagarosamente como se tivesses medo de partir, eu cá ficarei a contar os passos da tua despedida.